O guia completo sobre Come-Cotas!

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Se você já aplicou em fundos de investimentos, deve ter ouvido falar do chamado Come-Cotas. Trata-se de um mecanismo aplicado em alguns tipos de fundo por meio do qual se faz uma cobrança antecipada do Imposto de Renda.

Caso ainda não esteja familiarizado com o tema, você pode se assustar ao ver que o número de cotas que você tem em determinado fundo diminuiu. No entanto, isso é perfeitamente normal e é assim que funciona o Come-Cotas. Ele ocorre duas vezes ao ano e recolhe o imposto antecipadamente, “confiscando” uma parte das cotas que o investidor tem naquele fundo.

Quando falamos de investimentos, é preciso ter muita atenção a todos os detalhes para não ter surpresas desagradáveis no caminho. Por isso, é imprescindível entender quais são os custos das aplicações, os impostos que incidem sobre elas e os riscos que apresentam.

Neste artigo, vamos apresentar tudo o que você precisa saber sobre o Come-Cotas e também entender melhor por que é preciso fazer esse gerenciamento detalhado dos investimentos. Acompanhe!

O que é o Come-Cotas?

É um nome engraçado dado à maneira como a antecipação do Imposto de Renda é cobrada em alguns fundos de investimentos.

Na maioria das aplicações, o Imposto de Renda é cobrado no momento do resgate. No entanto, em alguns tipos de fundos de investimento, a cobrança é feita semestralmente, por meio do Come-Cotas.

Ele tem esse nome devido à forma como ocorre a cobrança. Duas vezes por ano, no último dia de maio e de novembro, o investidor pode notar que o número de cotas que ele tem daquele fundo de investimento diminui. Isso se deve ao come-cotas, que, como o nome indica, “come” algumas cotas que o investidor tem para pagar a antecipação do Imposto de Renda.

Aqui, é importante destacar que, como sempre acontece quando falamos de Imposto de Renda, a cobrança ocorre de acordo com o rendimento do fundo e não do valor total aplicado. Vamos ver a seguir com mais detalhes como funciona o Come-Cotas.

Como funciona o Come-Cotas?

Antes de mais nada, é bom lembrar o que são fundos de investimentos. Trata-se de uma forma de investir coletivamente, em que cada investidor tem direito a um determinado número de cotas, de acordo com o valor aplicado.

Alíquotas

O Come-Cotas se aplica a fundos de investimento abertos de curto ou longo prazo. Os fundos de curto prazo são aqueles que têm carteira com prazo médio inferior a um ano, enquanto os de longo prazo têm carteira com prazo médio superior a esse período.

Esses dois tipos de fundos têm alíquotas diferentes de IR, por isso o Come-Cotas também não é igual para os dois. Para os fundos de curto prazo, o Come-Cotas é de 20% sobre o rendimento dos seis meses anteriores, enquanto para os de longo prazo, é de 15%.

Isso ocorre porque o Come-Cotas usa a menor alíquota de cada tabela. Assim, no momento do resgate, é feita uma cobrança apenas de ajuste. Veja abaixo as alíquotas de cada tipo de fundo.

Fundos classificados como de curto prazo:

  • 22,5%, para valores que permanecem aplicados por até 180 dias;
  • 20%, para valores que permanecem aplicados por mais de 180 dias.

Fundos classificados como de longo prazo:

  • 22,5%, para valores que permanecem aplicados por até 180 dias;
  • 20%, para valores que permanecem aplicados entre 181 e 360 dias;
  • 17,5%, para valores que permanecem aplicados entre 361 a 720 dias;
  • 15%, para valores que permanecem aplicados por mais de 720 dias.

Exemplos

Para deixar o conceito mais claro, vamos usar um exemplo. Imagine que você tenha aplicado R$10.000 em um fundo de renda fixa de longo prazo. O valor da cota no momento da aplicação é de R$1,20. Portanto, você detém 8.333,33 cotas. No dia 31 de maio, o valor da cota subiu para R$1,40. Como você ainda tem o mesmo número de cotas, o seu saldo agora é de R$11.666,66.

Com isso, você teve um ganho de R$1.666,66 nesse período. Como a alíquota do Come-Cotas para fundos de longo prazo é de 15%, você vai pagar R$250 de imposto, que equivale a 15% de R$1.666,66. Agora, vamos lembrar que o valor da cota é R$1,40. Para saber quantas cotas serão debitadas pelo Come-Cotas, basta dividir o valor do tributo pelo valor da cota, ou seja, R$250 por R$1,40, que vai dar 178,57 cotas.

Assim, após a incidência do Come-Cotas, você terá R$11.416,66 (R$11.666,66 menos R$250) e 8.154,76 cotas (8.333,33 menos 178,57). Se multiplicar o novo número de cotas por R$1,40, que é o valor de cada cota, você chegará da mesma forma aos R$11.416,66.

Periodicidade

Esse processo ocorre, como já dissemos, todo último dia do mês de maio e de novembro. Quando ocorre um resgate, é feito apenas um ajuste, aplicando-se uma alíquota complementar que varia de acordo com o prazo entre a data de aplicação e a data de resgate.

No caso dos fundos de curto prazo, essa alíquota complementar pode variar de 0% a 2,5% e, nos fundos de longo prazo, de 0% a 7,5%, dependendo do tempo em que o dinheiro permaneceu aplicado. A alíquota complementar é usada para chegar às alíquotas cheias que mencionamos anteriormente.

Quais são as suas principais desvantagens?

Você pode se perguntar: se o Imposto de Renda vai ser cobrado de qualquer jeito, que diferença faz se essa cobrança ocorre a cada seis meses ou no momento do resgate? A resposta é: faz bastante diferença.

Sem o Come-Cotas, aquele valor que foi debitado do seu investimento continuaria rendendo. Quanto maior o tempo em que o dinheiro permanecer aplicado, mais isso pesa. Vamos pensar no exemplo acima. Na primeira incidência do Come-Cotas, o investidor pagou R$250 de imposto. Se esse dinheiro tivesse permanecido aplicado, considerando uma taxa de juros de 0,3% ao mês, ao final de 10 anos o investidor teria R$358,14.

Como essa mordida acontece a cada seis meses, então, no final, a soma de todos os débitos pode ser bem significativa. Esse dinheiro poderia ter permanecido rendendo todo esse tempo. Na prática, portanto, o Come-Cotas acaba reduzindo a “mágica” dos juros compostos.

Outros fatores a considerar

Isso não significa, no entanto, que toda aplicação que tenha Come-Cotas seja necessariamente ruim e deva ser descartada. Esse é apenas um dos fatores que o investidor deve levar em consideração. Existem diversos outros, como as taxas praticadas. Os fundos DI, por exemplo, têm Come-Cotas. Investimentos como os títulos públicos do tipo Tesouro Selic são comparáveis aos fundos DI.

Ambos são investimentos de renda fixa cuja rentabilidade depende essencialmente da trajetória da taxa básica de juros. Além disso, são considerados de baixo risco e têm alta liquidez.

Mas o que você deve olhar além do Come-Cotas para saber qual rende mais? No caso dos fundos DI, a taxa de administração. Se ela for muito alta, vai corroer a rentabilidade do investidor. Por outro lado, existem alguns fundos DI com taxa zero no mercado. Já no Tesouro Direto, existem as taxas cobradas pela bolsa de valores e as praticadas pelas corretoras. A B3 cobra uma taxa de custódia de 0,25% sobre o montante aplicado, enquanto a tarifa das corretoras varia e pode até mesmo ser zerada.

Esses dois exemplos mostram que, embora o Come-Cotas seja inegavelmente uma desvantagem para o investidor, ele está longe de ser o único critério que deve ser levado em consideração na hora de decidir como aplicar o seu dinheiro. Você também deve observar os demais impostos e custos. Para saber qual vale mais a pena, o único jeito é fazer a conta de cada caso específico.

Em que tipos de investimento ele incide?

O Come-Cotas incide sobre alguns tipos de fundos de investimento muito populares no mercado, como os fundos DI, de renda fixa, cambiais e os fundos multimercado. Saiba mais sobre cada um deles!

Fundos DI

Um dos mais comuns no mercado, esse tipo de fundo tem, obrigatoriamente, pelo menos 95% dos seus investimentos em títulos indexados ao CDI ou à Selic. Ele pode investir em títulos públicos ou em títulos privados de baixo risco.

É considerada uma aplicação conservadora, que tende a ter um rendimento próximo de 100% do CDI, antes de serem descontados os custos e os impostos. Além disso, conta com liquidez diária, o que faz dos fundos DI uma das principais opções para compor a reserva de emergência.

Chamada para Aprender a investir em Fundos de InvestimentoFundos de renda fixa

Os fundos de renda fixa são aqueles que têm pelo menos 80% do seu patrimônio aplicado em ativos vinculados à variação da taxa de juros ou a índices de preços (ou aos dois). Para isso, aplicam basicamente em títulos de renda fixa.

Os fundos de renda fixa são aplicações mais conservadoras que os fundos de ações ou fundos multimercados, mas, assim como sempre ocorre quando falamos de renda fixa, também têm um potencial menor de ganhos que a renda variável. Além disso, vale lembrar que os fundos de renda fixa não têm rentabilidade garantida nem variam sempre positivamente.

Fundos cambiais

Os fundos cambiais investem em ativos que acompanham a variação de moedas estrangeiras, especialmente o dólar, embora também haja fundos de euro ou que acompanham uma cesta de moedas. Por regra, 80% dos investimentos de um fundo cambial devem estar ligados à moeda estrangeira e à variação cambial, enquanto os 20% restantes normalmente são aplicados em fundos de renda fixa e títulos de baixo risco.

O principal objetivo desse tipo de fundo é acompanhar a variação da moeda estrangeira para manter o poder de compra do investidor. Esses fundos são indicados para quem vai ter alguma despesa em moeda estrangeira, como pessoas que estão guardando dinheiro para estudar ou morar no exterior. Além disso, eles também sobressaem em momentos de crise, quando o real perde valor frente a outras moedas.

Um outro ponto importante é que fundos com gestão ativa, como é o caso dos fundos cambiais, podem ter também taxa de performance, que é um percentual cobrado sobre o resultado que superar a meta de rentabilidade do fundo. A taxa de performance é uma forma de remunerar o gestor pelo bom desempenho alcançado.

Fundos multimercado

Os fundos multimercados são uma das aplicações mais versáteis que existem no mercado financeiro. Eles dão liberdade ao gestor para investir em todas as classes de ativos, em qualquer proporção. Isso significa que o gestor pode ajustar a estratégia do fundo ao cenário do momento em busca de maior rentabilidade para o cotista. Ao mesmo tempo, também é importante dizer que aqui a habilidade do gestor é mais importante do que nunca.

Assim como os fundos cambiais, os fundos multimercado também podem ter taxa de performance.

Em quais investimentos não incide o Come-Cotas?

O Come-Cotas não incide sobre todos os tipos de fundos de investimentos. Fundos de ações, fundos de previdência, fundos imobiliários e ETFs (Exchange Traded Funds) não têm Come-Cotas, por exemplo. Entenda melhor cada um deles!

Fundos de ações

São fundos que investem pelo menos 67% dos recursos de seus cotistas em ações de empresas listadas na bolsa. O Imposto de Renda é cobrado apenas no momento do resgate, com alíquota de 15% sobre os rendimentos.

Fundos de previdência privada

Os fundos de previdência privada têm uma tributação própria. Neles, o investidor pode escolher entre:

  • tabela regressiva, em que a alíquota diminui quanto mais tempo o dinheiro permanece aplicado;
  • tabela progressiva, em que a alíquota aumenta de acordo com o valor da renda, exatamente como a tabela que incide sobre os salários.

A primeira compensa mais para quem vai deixar o dinheiro aplicado por bastante tempo, uma vez que, acima de 10 anos, a alíquota é de apenas 10%. Já a segunda faz sentido para quem pretende receber uma renda não muito alta. Nesse caso, a alíquota pode ser até zerada.

No entanto, é preciso dizer que aqui é preciso ter muito planejamento e uma análise cuidadosa, porque, do mesmo jeito que essas tabelas podem beneficiar o investidor, elas também podem ser bem punitivas e fazer com que ele pague um valor muito alto de IR.

Fundos imobiliários

Os fundos imobiliários são fundos fechados, que não permitem resgate. Suas cotas são negociadas na bolsa de valores, de forma similar às ações. Eles pagam aos cotistas rendimentos de suas aplicações. Esse pagamento, na maioria das vezes, é mensal, mas também pode ser bimestral ou semestral. Os rendimentos são isentos de Imposto de Renda.

No entanto, há cobrança de IR sobre o ganho de capital, ou seja, quando o investidor vende as suas cotas com lucro. Nesse caso, a tributação é de 20% sobre os ganhos obtidos.

ETFs

Assim como os fundos imobiliários, os ETFs são fundos com cotas negociadas em bolsa. Eles buscam acompanhar a variação de algum índice, como o Ibovespa. Também são fundos fechados, que não permitem o resgate das cotas, apenas a sua venda. Nesse caso, há incidência de IR com alíquota de 15% sobre o ganho de capital.

E por que é importante gerenciar tão minuciosamente assim os seus investimentos?

Cuidar das finanças é tão importante quanto cuidar da saúde do corpo e da mente. Pessoas muito endividadas, por exemplo, não têm paz de espírito e estão constantemente preocupadas, o que pode prejudicar a sua saúde mental.

Por isso, é importante ter uma vida financeira saudável e para isso você deve ter atenção com o gerenciamento dos seus investimentos.

Então vale a pena aplicar em fundos de investimentos?

Independentemente de ter ou não o come-cotas, a decisão de investimento tem que ser personalizada. Os investimentos devem servir aos seus propósitos e ajudar você a atingir os seus objetivos, como falamos no começo deste artigo.

As vantagens dos fundos de investimento são muitas. Você conta com um gestor profissional para tomar as decisões de investimento. Além disso, o fato de ter vários investidores unidos gera um patrimônio grande para o fundo, o que permite que o gestor negocie melhores condições e tenha acesso a investimentos aos quais você não conseguiria ter sozinho.

Por fim, os fundos de investimentos são muito variados e é possível fazer desde a aplicação mais conservadora até a mais arriscada ou sofisticada, ou seja, existem opções para todos os perfis e objetivos.

Como você percebeu, o Imposto de Renda sobre investimentos é um dos fatores que devem ser levados em consideração na hora de escolher como montar o seu portfólio, mas não deve ser o único critério, e isso vale também para o Come-Cotas. Assim, apesar de o recolhimento ser inevitável, isso não tira a importância dos fundos de investimento, que contam com muitas opções vantajosas.

Agora você já sabe o que é o Come-Cotas e entende exatamente como funciona. Dessa forma, tem mais subsídios para tomar suas decisões de investimento e fazer seu dinheiro trabalhar a seu favor!

Quer aprender mais sobre fundos? Então acesse o nosso guia completo com Tudo sobre Fundos de Investimento!

Até a próxima!

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