Correlação e descorrelação: entenda esses conceitos!

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Você já percebeu que, às vezes, a cotação do dólar cai e a bolsa se valoriza? O contrário, ou seja, alta no dólar e queda na bolsa, também costuma acontecer. Será que essa dinâmica é só uma coincidência? Os conceitos de correlação e descorrelação podem ajudar você a descobrir a resposta.

É verdade que diversos fatores podem influenciar a valorização ou a desvalorização de um ativo. No entanto, um mesmo evento pode causar reações diferentes a dois investimentos. E é fundamental que você entenda os motivos dessa movimentação para montar uma carteira de investimentos sólida.

Por isso, continue a leitura deste post e saiba mais sobre os conceitos de correlação e descorrelação no universo dos investimentos!

O que é correlação?

De acordo com o dicionário Aulete, a palavra correlação se refere a uma relação recíproca entre dois ou mais termos. Por conta dessa relação, um mesmo evento pode afetar dois elementos e isso é muito comum no mercado financeiro.

Podemos ver um exemplo de correlação no comportamento do dólar e da bolsa. Geralmente, quando um se valoriza, o outro se desvaloriza. Sabe por que isso acontece?

A correlação entre o dólar e a bolsa de valores

Talvez você saiba que muitos investidores estrangeiros investem aqui no Brasil. Quanto mais eles investem, mais dólares entram no país, concorda? Então pense na lei da oferta e da demanda: o que acontece quando há muita oferta de algum item?

A tendência é que ele passe a valer menos, e é justamente isso que acontece com o dólar. Desse modo, quanto mais os investidores estrangeiros investem no Brasil, mais o dólar se desvaloriza. Ao mesmo tempo, a bolsa de valores se valoriza.

Isso porque há aumento na procura pelas Ações das empresas nacionais. Está percebendo o comportamento? A bolsa se valoriza e o dólar se desvaloriza. Isso significa que há uma correlação inversa, também chamada de correlação negativa, entre eles.

Naturalmente, diversos fatores podem afetar o dólar e o índice Ibovespa. Em alguns casos, os dois podem se valorizar juntos, assim como pode ocorrer a desvalorização simultânea deles. Mas, normalmente, podemos observar uma correlação inversa entre os dois.

A correlação entre investimentos

Assim como há uma correlação entre o dólar e a bolsa, esse fenômeno pode atingir diversos investimentos. Em alguns casos, a correlação é inversa; em outros, é direta, ou positiva. Pense, por exemplo, nos Fundos de Investimento.

Suponha que você tenha um Fundo de Ações na sua carteira, e que haja papéis do setor bancário nele. Se um evento afetar as Ações do setor, o que acontecerá com o fundo? Sofrerá desvalorização também. O impacto vai depender da proporção dos papéis no portfólio.

De qualquer forma, existe uma correlação positiva entre os dois elementos. Quando um se valoriza, a tendência é que o outro se valorize também. Do mesmo modo, a desvalorização de um diminui a cotação do outro.

Algo semelhante ocorre com os ETFs (Exchange Traded Funds), que são os Fundos de Índices. Visto que existe uma correlação direta entre eles, o movimento de alta ou queda do índice afeta a cotação do ETF.

Já ficou bem claro para você o que é correlação e como ela se manifesta nos investimentos, certo? Agora é hora de entender a descorrelação.

O que é descorrelação?

Descorrelação é, basicamente, a falta de correlação. Se duas coisas estão descorrelacionadas, isso significa que não há relação entre elas. Mesmo que um evento influencie uma, a outra não é afetada.

Que tal pensar em um exemplo de descorrelação no mercado financeiro? Suponha que você tenha, na sua carteira de investimentos, Ações de algumas empresas e contratos futuros de commodities.

Se as Ações se desvalorizarem por algum motivo, será que isso faria o commodities se desvalorizar também? Não há como prever o comportamento, uma vez que existe descorrelação ou falta de correlação entre as duas coisas.

Por que é importante entender os dois conceitos?

Agora você já entende os conceitos de correlação e descorrelação. Mas por que é importante ter essa compreensão? Um motivo é a importância de diversificar a sua carteira. Por exemplo, um investidor pode ter escolhido o Tesouro Selic para guardar a sua reserva de emergência.

No entanto, seria um bom negócio alocar todo o seu dinheiro nesse título? Se você fizesse isso, estaria exposto ao risco de apenas uma aplicação. E também perderia a oportunidade de conseguir uma rentabilidade melhor em outros investimentos.

Desse modo, com base nos seus objetivos e no seu perfil, você monta uma carteira diversificada. Ou seja, de preferência com ativos que não tenham sempre correlação positiva entre si. Assim, se uma parte da sua carteira sofrer queda, outra terá o comportamento diferente.

Então fique atento: investir em produtos diferentes, mas com forte correlação positiva, não significa diversificar. A verdade é que, se os investimentos estão muito correlacionados, a diversificação é só aparente.

Por isso, é essencial entender os conceitos de correlação e descorrelação. Mais que isso, é preciso saber usar esse entendimento para fazer as melhores escolhas para o seu portfólio.

Como fazer as melhores escolhas para o seu portfólio?

Como você viu, ao investir em ativos é necessário analisar a correlação entre eles. Não que seja errado ter investimentos correlacionados na carteira. Mas é preciso fazer um manejo de risco para manter o equilíbrio do portfólio.

Pense no seguinte: se você tiver apenas Ações de bancos, o que acontecerá se uma crise atingir o setor? Todo o seu portfólio será afetado, não é? Por outro lado, e se você escolher Ações de setores diferentes, a carteira será mais equilibrada.

Dependendo da sua estratégia, pode ser uma boa ideia ter investimentos com correlação inversa na sua carteira. Além disso, ativos descorrelacionados também podem tornar a sua diversificação mais eficiente.

Naturalmente, correlação e descorrelação não são os únicos fatores a se considerar ao montar uma carteira. É essencial ponderar, ainda, os seus objetivos e analisar as características do investimento.

Mas, como você pode ver, a correlação entre investimentos pode ser sua aliada, assim como pode ser também uma vilã. O importante é você entender o conceito e aprender a usá-lo a seu favor. Desse modo, é possível rentabilizar a sua carteira sem deixar de lado o manejo do risco!

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Até a próxima!

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