Confira tudo o que você precisa saber sobre os fundos multimercado

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Quem investe sabe bem da importância de aprender de forma constante sobre novas aplicações financeiras, que permitem conhecer boas opções para diversificar a carteira de forma prática. Isso facilita equilibrar segurança e rentabilidade sempre de acordo com o perfil de cada investidor.

Nesse sentido, os fundos multimercado aparecem como uma das alternativas mais interessantes para quem quer trabalhar a diversificação dos seus investimentos. Pensando nisso, preparamos este conteúdo completo, que traz tudo o que você precisa saber sobre essa forma de aplicação, indo desde a explicação de como ela funciona até dicas para a escolha dos melhores fundos. Boa leitura!

Para começar, o que são fundos de investimento?

Antes de entender o que são fundos multimercado, vamos dar um passo atrás e recapitular o que são os fundos de investimento como um todo. Eles são uma forma de investir relativamente popular, então é provável que você já os conheça. No entanto, é sempre importante ter noção do conceito, já que isso ajuda o investidor a determinar se aquela aplicação é adequada para seu perfil.

A comparação com os condomínios residenciais facilita o entendimento de como funciona um fundo de investimento, seja qual for sua categoria: neles, o morador precisa pagar uma taxa mensal visando o pagamento de serviços de limpeza, manutenção e segurança. Em troca, ele pode aproveitar os benefícios desse local, sempre de acordo com regras geralmente supervisionadas por um síndico.

Nesse sentido, os fundos de investimento podem ser entendidos como condomínios de casas residenciais ou prédios, por exemplo: os investidores se unem em um grupo para dividir os custos e reunir recursos para investir, sempre com a supervisão de um gestor, que atua de acordo com uma estratégia elaborada seguindo as características predeterminadas daquele fundo.

Cada investidor recebe uma cota proporcional ao valor investido na composição do fundo. Por isso, quem investe nesse tipo de aplicação é chamado de cotista. No final das contas, o principal objetivo da gestão de um fundo é trabalhar para a valorização dessas cotas, permitindo que os investidores lucrem com esses ganhos.

E, por que existem os fundos multimercado?

Os fundos de investimento são definidos de acordo com a classe de ativos na qual a maior parte dos recursos é alocada de acordo com sua estratégia de investimentos. Dessa forma, temos os fundos de renda fixa, por exemplo, que como o próprio nome dá a entender são fundos que aplicam a fatia majoritária do dinheiro em ativos dessa categoria (o que incluí títulos públicos e privados ou mesmo cotas de outros fundos de renda fixa).

Desde 2015, a ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades de dos Mercados Financeiros de Capitais) trabalha com uma classificação que leva em conta quatro tipos principais de fundos de investimento: renda fixa, ações, multimercado e cambial.

De acordo com essa classificação, os fundos multimercado são aqueles que trabalham sem o compromisso de alocação de recursos em uma categoria específica de ativos. Ou seja, o gestor de um fundo multimercado pode montar estratégia sem a preocupação de seguir determinados limites.

Um fundo de ações, por exemplo, deve ter pelo menos 67% do dinheiro alocado nesses títulos. Já um fundo de renda fixa deve manter mais de 80% dos recursos em ativos dessa categoria. Os fundos multimercado, por sua vez, não precisam acompanhar nenhuma dessas regras.

Como eles funcionam?

Essa liberdade proporcionada pelos fundos de investimento multimercado dão ao gestor uma maior flexibilidade para ajustar suas estratégias. Com isso, elas podem ser adaptadas de maneira mais simples as variações do mercado, o que permite ajustar a relação de risco e rentabilidade sempre que necessário, mantendo o fundo alinhado a sua estratégia.

Abaixo, você verá algumas características que indicam como funcionam na prática os fundos multimercado.

Rendimento

Os fundos multimercado são diferentes de aplicações em renda fixa. Nelas, o investidor sabe de antemão qual será a sua rentabilidade ou ainda de que forma ela será calculada. Isso evita surpresas diante de grandes oscilações no rendimento obtido.

Em um fundo, não é possível saber antecipadamente qual será o retorno, já que cada um deles atua de forma diferente e com estratégias que podem levar a resultados diversos de acordo com as condições do mercado.

Normalmente, fundos de investimento, incluindo os multimercado, trabalham com o conceito de benchmark. Ele serve como uma referência para a rentabilidade cada fundo. A gestão pode ser ativa, visando superar esse índice de referência, ou passiva, que age apenas para acompanhá-lo.

Um dos benchmark mais utilizados pelos fundos multimercado é o CDI (sigla para Certificado de Depósito Interbancário), indicador de referência do mercado que acompanha de perto a SELIC, taxa básica de juros da economia nacional.

Logo, um fundo multimercado pode ter rendimento superior ao CDI, o que será indicado pelo percentual ultrapassado: é comum ver fundos que anunciam ganhos de 120% do CDI no período, por exemplo.

Custos

Os custos para investir em fundos multimercado devem ser bem conhecidos e ponderados pelo investidor, sob o risco disso comprometer a rentabilidade obtida. Quase sempre esses custos são maiores do que aqueles praticados em aplicações de renda fixa.

A principal cobrança de um fundo de investimento e que também está presente no multimercado é a taxa de administração, que remunera o trabalho de gestão dos ativos do fundo. Ela é calculada sobre o patrimônio líquido total do fundo. Em média, a taxa de administração gira em torno de 2% ao ano.

Existem outras cobranças que não são fixas, mas que devem ser acompanhadas de perto. Entre elas estão as taxas de performance e de saída.

Lembra de quando falamos dos índices de referência para acompanhamento do desempenho do fundo? Em alguns fundos, quando esse parâmetro é superado, é cobrada a chamada taxa de performance, que premia o bom desempenho da gestão. Num cenário hipotético, ela pode ser de 20% sobre tudo o que exceder o CDI.

Por fim, ainda pode haver a cobrança da taxa de saída. Ela incide sobre resgastes feitos antes de um prazo mínimo predeterminado pela gestão de cada fundo.

Tributação

Outras cobranças feitas sobre os fundos de investimento envolvem os tributos. São dois os que podem ser cobrados em aplicações dessa categoria: o IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras) e o Imposto de Renda.

É bem simples se livrar da cobrança do IOF. Basta manter a aplicação por pelo menos 30 dias consecutivos. Antes disso, o investidor será cobrado com alíquotas que variam entre 96% (para resgastes feitos com apenas 1 dia de aplicação) e 3% (após 29 dias). Os valores cobrados são calculados sobre os ganhos obtidos.

O IR também tem cobrança proporcional com o tempo de investimento: quanto mais tempo o dinheiro for deixado aplicado, menores serão as cobranças.

Na hora de calcular o tamanho da mordida do IR também são consideradas diferenças entre fundos de curto e longo prazo. Os primeiros são compostos por sua maioria de ativos com prazo máximo de vencimento de 365 dias. Já os segundos são os fundos com carteiras formadas por ativos cujo vencimento supera esse período.

Nos fundos multimercado de curto prazo, a cobrança a alíquota é de 22,5% para aportes de até 180 dias e 20% para investimentos com prazos superiores a esse.

No longo prazo, as alíquotas variam mais e chegam em 17,5% para investimentos entre 361 e 720 dias e caem para 15% quando o período de 721 é alcançado.

Quem investe em fundos multimercado deve ficar atento à cobrança do chamado come-cotas. Ela é uma antecipação da cobrança do IR que acontece sempre no último dia útil dos meses de maio e novembro.

Ela é de 15% nos fundos de longo prazo e 20% nos de curto prazo. Com essa cobrança, o investidor paga no momento do resgate apenas a diferença da alíquota de acordo com o tempo em que o dinheiro permaneceu investido.

Resgate

Para evitar problemas, o investidor deve ter sempre em mente quais são as formas de resgate das suas aplicações. Nos fundos multimercado, é possível encontrar opções tanto de baixa quanto de alta liquidez.

Liquidez é a característica que define a capacidade de converter uma investimento em dinheiro. Quanto mais fácil e rápido for isso, mais alta é a liquidez de uma aplicação.

Os fundos devem informar quantos dias as cotas demoram para serem convertidas em dinheiro a partir da solicitação do resgate. Esse prazo costuma ser indicado por meio da fórmula D+1, onde D é a data em que o resgate foi solicitado e o 1 o número de dias úteis que o dinheiro demorá para estar disponível na conta corrente do investidor.

Assim, em um fundo com prazo de resgate de D+30, é preciso esperar um mês para reaver os recursos investidos, por exemplo.

Além disso, é preciso constar eventuais regras específicas. É comum que fundos multimercados tenham prazos de carência para cada aplicação, limitando os saques antes de determinado período.

Chamada para Aprender a investir em Fundos de InvestimentoQuais os principais tipos de fundo multimercado?

Os fundos multimercado não são todos iguais. Eles se diferenciam principalmente por meio da estratégia específica adotada por cada gestão. Conhecer essas especificidades ajuda o investidor que está trabalhando a procura de formas de diversificação.

Por isso, confira quais são as características de cada tipo de estratégia dos principais tipos de fundo multimercado.

Balanceados

Os fundos multimercado balanceados têm como principal característica adotar estratégias que determinam de forma clara quais serão os ativos escolhidos para a aplicação, bem como quais serão as políticas de rebalanceamento de carteira.

Dinâmicos

Os fundos dinâmicos seguem uma lógica similar à dos fundos balanceados. No entanto, aqui há uma flexibilidade um pouco maior. Os ativos são alocados de acordo com faixas, o que faz com que a composição do fundo seja alterada de forma mais rápida.

Um fundo dinâmico pode estabelecer que ativos de renda fixa ocupem entre 10% e 40% da carteira. A partir dessa faixa, a gestão pode ir aumentando ou diminuindo de acordo com avaliações das condições do mercado.

Dentro da divisão entre fundos dinâmicos e balanceados há ainda sub-divisões mais específicas. Algumas delas estão listadas abaixo.

Livre

Fundos multimercado com estratégia livre, por sua vez, podem adotar formas de investimento que não se comprometem com nenhuma distribuição de ativos previamente definida. Além disso, eles podem combinar diversas estratégias.

Macro

O principal aspecto considerado são as condições macroeconômicas. As decisões envolvem diversas classes de ativos, mas são feitas considerando cenários principalmente de médio e longo prazo.

Trading

Os fundos multimercado que atuam numa estratégia a base de trading abandonam a visão de médio e longo prazo e tentam obter ganhos a partir de variações de curto prazo. Isso pode oferecer resultados interessantes, mas também eleva o risco.

Long & short

Estratégias long & short envolvem o mercado de ações e buscam alcançar rentabilidade a partir da oscilação obtida com a compra e a venda de ativos de gênero.

Essas estratégias partem do princípio de que é possível se posicionar de duas formas no mercado de ações: de forma comprada (long) e de forma vendida (short).

Quem está comprado espera que o preço de uma determinada ação suba para que, com isso, consiga vendê-la por um preço maior do que comprou. Já quem está vendido pode comprar ou alugar uma ação e revendê-la ao dono depois que uma queda no preço, lucrando com a diferença no preço dessa operação.

A partir disso, um gestor de um fundo multimercado atua com base em ativos relacionados, montando pares. Dessa forma, ele se mantém comprado na ação com perspectiva de alta e vendido naquela que tende a cair e lucra quando esses movimentos acontecerem.

Um fundo multimercado pode adotar essa como principal estratégia de investimento ou separar uma pequena parte do patrimônio para isso, o que ajuda a reduzir a exposição ao risco e a volatilidade do mercado de ações.

Quantitativo

Mais recentes, fundos quantitativos são aqueles cuja gestão é baseada em algoritmos, fórmula matemáticas desenvolvidas por times de investidores.

Juros e Moeda

O foco desses fundos são ativos atrelados a variação da cotação de moedas estrangeiras e juros. Na maioria dos casos são permitidos também ativos de renda fixa, mas são excluídos os de renda variável.

Quais são as vantagens em investir em fundos multimercado?

A principal vantagem dos fundos de investimento multimercado é que eles são uma excelente ferramenta de diversificação, composta por ativos escolhidos por especialistas, que terão todo o cuidado de compor uma carteira alinhada com a estratégia definida por profissionais. Isso muitas vezes dá ao investidor acesso a tipos e estratégias de investimento a que ele talvez não tivesse se investisse sozinho.

Outro aspecto positivo que merece ser ressaltado sobre os fundos multimercado é sua flexibilidade: a maioria das estratégias consegue se adaptar as condições do mercado, o que ajuda a aproveitar as melhores oportunidades de acordo com a dinâmica da economia, bem como fugir de eventuais problemas decorrentes do sobe e desce de determinados investimentos.

A mesma versatilidade vale para a liquidez: é possível encontrar alternativas tanto de alta quanto baixa liquidez.

Essa combinação de fatores faz com que a rentabilidade dos fundos multimercados se torne um grande atrativo, principalmente no médio e longo prazo, quando ela quase sempre é superior do CDI. Em cenários de juros muitos baixos e queda no retorno oferecido pelas alternativas de renda fixa, como agora, essa pode ser uma boa possibilidade.

E as desvantagens?

Como todo investimento, é importante considerar os riscos dos fundos multimercado na hora de avaliar suas desvantagens. Quem coloca seu dinheiro nesse tipo de aplicação está sujeito principalmente aos riscos de liquidez, de mercado e de crédito.

O risco de liquidez, como já mencionamos, envolve a capacidade em converter em dinheiro a aplicação feita. Por isso, avalie bem qual o prazo para resgate do fundo escolhido e veja se ele é compatível com seu planejamento.

O risco de mercado, por sua vez, é intrínseco às aplicações, que podem ter sua cotação e rendimento variável de acordo com a situação da economia. Notícias ruins sobre o cenário econômico e político podem afetar ações, o que compromete fundos que investem nessa aplicação. O risco de mercado é bastante difícil de ser estimado.

Por fim, temos o risco de crédito. Ele diz respeito à possibilidade da emissora de um título não honrar o compromisso vinculado àquele papel. É o que acontece quando um banco quebra, por exemplo. Por isso, procure instituições com solidez reconhecida. Em nenhum caso há cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), certo?

Outro fator que pode incrementar o risco de fundos multimercado é a alavancagem. Essa manobra permite que o fundo invista com valores maiores do que aquelas efetivamente disponíveis. Ao mesmo tempo que essa estratégia eleva as chances de ganhos, expõe os investidores a riscos maiores. Logo, ela deve ser adotada apenas por quem tem um perfil com tendência mais arrojadas.

Além dos riscos, pondere também os custos. Eles podem ser altos, dependendo do regulamento do fundo. Cobranças elevadas podem comprometer a rentabilidade líquida obtida, o que faz com algumas opções de fundo multimercado deixem de ser boas alternativas. Portanto, não aplique seu dinheiro antes de fazer esse cálculo.

Como escolher bons fundos multimercado?

Se você chegou até aqui, viu que os fundos multimercado podem ser opções interessantes para quem quer diversificar seus investimentos de forma prática e eficiente. Todavia, para que esse resultado seja alcançado, é sempre importante saber o que considerar para escolher um bom fundo e descobrir como investir nele.

1) Avalie se é bom pra você

Logo de cara, é preciso avaliar aspectos mais amplos sobre como você lida com seus investimentos e finanças pessoais. Considere qual sua tolerância ao risco, avalie seu perfil de investidor (conservador, moderado ou arrojado) e defina quais são suas metas de curto, médio e longo prazo.

Ademais, pondere qual sua situação financeira atual e se você já tem uma reserva financeira formada, uma ótima aliada para imprevistos. A partir desses pontos fica mais simples definir se fundos multimercado são uma boa opção para a sua carteira.

2) Por qual plataforma vai investir

Bancos e corretoras são as instituições financeiras que oferecem fundos multimercado. Em muitos casos, vale procurar as corretoras, já que elas tendem a oferecer opções mais atrativas e variadas.

3) Estude o fundo

Na hora de escolher o fundo, é importante conferir todo o conteúdo presente em um documento chamado de prospecto. Nele devem estar presentes todas as informações relativas ao funcionamento do fundo, tal como o regulamento, estratégias adotadas, taxas cobradas e informações complementares pertinentes à gestão dos recursos aplicados.

Lembra de quando falamos do benchmark, utilizado como referência para determinar o desempenho do fundo? Ele é uma ferramenta muito útil para avaliar o histórico dessa aplicação, algo essencial na hora de escolher quais deles irão compor sua carteira de fundos de investimentos.

Na avaliação do histórico, considere o desempenho ao longo dos anos, avaliando quantas vezes o fundo analisado entregou resultados iguais ou superiores ao seu benhcmark, o que indica o que esperar desse fundo. Porém, não se esqueça de uma regra-chave: rentabilidade passada nunca é garantia de ganho futuro.

4) Fique de olho na liquidez

Lembre-se de avaliar também a liquidez, conforme as regras de resgate indicadas no prospecto, bem como qual o nível de risco com que aquele fundo trabalha e qual a volatilidade dos ativos, que indica a oscilação dos ativos. Quanto mais volátil for o fundo, maior pode ser o sobe e desce nas cotações, o que costuma afastar investidores conservadores ou que visam ao curto prazo.

Por fim…

Podemos destacar que os fundos multimercado são aplicações financeiras que se caracterizam principalmente pela sua versatilidade. Eles são capazes de atender uma ampla gama de investidores, dos mais diversos perfis. Para que não tem tanta familiaridade com investimentos mais complexos, eles também são uma ferramenta interessante de diversificação para quem está disposto a se expor a um risco um pouco maior.

De todo modo, é sempre importante ressaltar que a escolha pelos fundos multimercados deve estar sempre alinhada a uma análise criteriosa do seu perfil de investidor e uma avaliação precisa de quais são os seus objetivos ao investir. Isso evita riscos desnecessários e aumenta a chance de obter bons resultados, melhorando o desempenho dos seus investimentos, algo sempre desejado.

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Até a próxima!

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