Fundos Quantitativos: o que são e como funcionam?

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Você já pensou em como seria incrível se tivesse um jeito de investir que combina análise de dados históricos + algoritmos de alta precisão + eliminação do viés na hora da tomada de decisão, e por isso protege seu patrimônio de perdas permanentes?

Então, ele existe. E é mais conhecido como fundo quantitativo. E, neste artigo, vamos te ajudar a entender o que são, como funcionam e como investir em fundos quantitativos!

Mas, afinal, o que são fundos quantitativos?

Podemos classificar fundos de investimento como fundos quantitativos quando existem algoritmos fazendo uma robusta análise de dados e tomando a decisão de investimento. Eles também podem ser chamados de quant ou sistemáticos.

Hoje, esse tipo de fundo ocupa menos de 1% do mercado brasileiro. No entanto, a tendência é de crescimento, já que passa dos 25% em países como os EUA. A automação ainda dá espaço para que a taxa de administração seja menor que a de outros fundos.

 

infográfico sobre fundos quantitativos

Existem três tipos de fundos quantitativos: os mais puros, o Quantamental e o fundo quantitativo misto.

Puros

Os fundos quantitativos mais puros são aqueles onde as estratégias vão ser criadas através de machine learning e inteligência artificial, ou seja, não existe intervenção humana.

Os algoritmos apenas analisam a base de dados, e a partir disso, com IA decidem em qual ativo vão alocar os recursos disponíveis. Um bom exemplo de fundo desse tipo, é o Medallion, da americana Renaissance Technologies.

Quantamental

Essa modalidade vai reunir fundamentos econômicos a estratégias quantitativas, ou seja, os gestores vão ensinar os fundamentos econômicos para um algoritmo, para que esse algoritmo tome a decisão. 

Isso quer dizer que existe uma abordagem científica por trás desse modelo, onde um especialista levanta uma hipótese, une essa hipótese a um fundamento econômico, valida essa hipótese em um backtest e depois coloca o modelo validado em operação.

Mistos

O terceiro tipo de fundo quantitativo está mais próximo dos fundos tradicionais, que é o chamado fundo misto. E, neste tipo de fundo, o gestor já percebeu que pode usar a tecnologia em seu favor, mas mesmo assim prefere tomar a decisão final.

E, em qual frequência eles operam?

Esse fundos podem operar em alta ou em baixa frequência. Depende muito da filosofia da gestora do fundo, e do que foi acordado desde o início.

Quando os fundos escolhem operar em alta frequência, eles fazem milhares de operações por segundo, e o sucesso desses fundos depende muito de estar perto da bolsa de valores.

Porque, se eles estão operando ações, precisam ter uma conexão muito boa e ter um poder de computação muito alto pra poder processar todas essas operações com muita velocidade, e poder atuar fazendo arbitragem.

Por outro lado, tem os fundos que vão usar estratégias de baixa frequência. Nesse caso, eles operam a maior parte das estratégias de maneira semanal ou mensal. Isso quer dizer, que estão muito mais focados no longo prazo e em estratégias que funcionem durante muito tempo.

Como esses fundos funcionam na prática?

O fundo de investimento quantitativo se baseia na descoberta de padrões de comportamento dos ativos. O gestor do fundo realiza testes na base de dados para descobrir se sua hipótese funciona ou não de acordo com uma ideia ou fundamento econômico.

Isso pode funcionar de duas maneiras. A primeira é quando o gestor parte de um fundamento econômico para criar regras de operação de um ativo, testa essas regras no histórico daquele ativo e valida seu funcionamento.

A segunda é quando um sistema analisa o histórico do valor dos ativos e faz a leitura de padrões. Com essa informação em mãos, o gestor cria uma sequência e pré-condições para explorar os investimentos.

A partir das linhas de programação que contém regras, os modelos operam diferentes ativos, com supervisão da equipe do fundo. Na maioria dos casos, a equipe só interfere na decisão em cenários muito extremos. O ponto principal desse tipo de fundo é a participação de um processo estatístico rígido.

Um exemplo comum de como isso funcionaria é por meio da arbitragem, que é a operação de diferenças de preço de um mesmo ativo em diferentes mercados.

De forma geral, essa estratégia foca em ganhos rápidos a curto prazo e tem pouca representatividade nos fundos brasileiros. Se um valor é alto em um mercado e baixo em outro, o arbitrador resolve o impasse de preços. Basta comprar a ação de menor valor e vendê-la no outro mercado de maior valor.

Além desse uso mais simples, existem inúmeras outras estratégias e fatores que podem ser usados para compor um fundo como esse.

Contudo quais são as vantagens dos fundos de investimento quantitativos?

A primeira grande vantagem dos fundos é o uso de modelagem, matemática e estatística. Isso automatiza uma parte do processo e serve como base para a decisão de investimento. Os algoritmos se baseiam em dados e números — por isso, não são afetados por mudanças de humor, pressão do mercado ou vieses cognitivos.

Esse tipo de algoritmo conta com uma capacidade de processamento de dados muito acima da média dos seres humanos. Isso porque, diferentemente do que acontece com as máquinas, a tensão das situações de incerteza pode interferir em nossas decisões.

Afinal, investir é lidar com um leque de possibilidades, certo? Quanto mais munido de informações você estiver, melhor.

Além do volume de dados usados na tomada de decisão, esses fundos tem um grande benefício para diversificação da carteira. Quando combinamos diferentes investimentos é importante entender quão correlacionados eles são, ou seja, quando um sobe, todos sobem (o mesmo vale para quedas) ou se eles se comportam de formas diferentes.

Por tomar decisões de maneira diferente dos fundos tradicionais, os fundos quantitativos são descorrelacionados, diminuindo os riscos da carteira. Isso porque em momentos em que a maioria dos fundos está caindo, esse fundo pode estar subindo, te protegendo de perdas.

Lembre-se de que o algoritmo ainda não segue pontos fora da curva, como eventos recentes, particulares e muito inesperados, uma vez que a principal fonte é o histórico dos ativos.

Desse modo, podemos concluir que:

Como você viu, os fundos de investimentos quantitativos são ótimas alternativas para diversificar seus ganhos, manter um bom retorno e ainda usar a tecnologia para lidar melhor com os riscos.

E leve sempre em consideração que esse é um ativo de renda variável e que existirão momentos de queda que fazem parte do processo.  Mas, tendo uma carteira bastante diversificada você otimiza seu risco e protege seu patrimônio.

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O que são Fundos Quantitativos?

Podemos classificar um fundo de investimento como quantitativo quando existem algoritmos fazendo uma robusta análise de dados e tomando a decisão de investimento. Eles também podem ser chamados de quant ou sistemáticos.

Como é o cenário de fundos quantitativos no Brasil?

Hoje, esse tipo de fundo ocupa menos de 1% do mercado brasileiro. No entanto, a tendência é de crescimento, já que passa dos 25% em países como os EUA. A automação ainda dá espaço para que a taxa de administração seja menor que a de outros fundos.

Quais são os tipos de Fundos Quant?

Existem três tipos de fundos quantitativos: os mais puros, o Quantamental e o fundo quantitativo misto.

Qual a vantagem de investir em um Fundo Quantitativo?

Esse tipo de algoritmo conta com uma capacidade de processamento de dados muito acima da média dos seres humanos. Isso porque, diferentemente do que acontece com as máquinas, a tensão das situações de incerteza pode interferir em nossas decisões.

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