Gestão de risco nos investimentos: tudo o que você precisa saber!

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Todo investimento no mercado financeiro apresenta riscos de diversos tipos que podem resultar em perda financeira ou dificuldade de sair de uma posição. Portanto, saber administrar essas condições é essencial na hora de tomar decisões — e é por isso que existe a gestão de risco. 

Esse processo envolve uma análise criteriosa dos investimentos e permite que você antecipe possíveis resultados. Assim, é possível montar sua carteira de investimentos com a estratégia adequada. 

Neste artigo, você vai conhecer diversas metodologias para identificar os riscos mais comuns do mercado, que vão te ajudar a proteger seus investimentos. Confira! 

Entenda os tipos de risco nos investimentos

Para começar a fazer uma boa gestão de risco é importante saber quais são os tipos de risco e como metrificá-los para comparar cada um.

Risco de Mercado

O risco de mercado, por exemplo, é o risco mais comum para se analisar nos seus investimentos, ele te ajuda a entender se o perfil do produto é adequado para você, e tenta precificar qual a perda que você pode esperar se os ativos não performarem como você gostaria.

Em relação a esse risco, existem 3 métricas que podem te auxiliar muito para entender o risco de um ativo ou de um fundo: a volatilidade, o DrawDown e a correlação com outros ativos.

Volatilidade e Drawdown

A volatilidade traduz quanto um certo investimento tende a oscilar no tempo, quanto maior a volatilidade, mais o seu dinheiro vai subir ou cair.

O DrawDown, por sua vez, mostra qual foi a maior perda do ativo no período selecionado, e muitos sites têm gráficos de Underwater que mostram exatamente os diferentes Drawdowns dos investimentos que você pretende realizar.

Nas imagens abaixo, é possível ver o retorno acumulado e o Underwater do Ibovespa que é um índice com alta volatilidade (35.4%) e do IHFA que tem uma volatilidade menor (7.0%).

gestão de risco gráfico de retorno acumulado ubov e ihfagestão de risco gráfico underwater

Nas figuras, é possível observar que nesse período o Ibovespa teve um retorno acumulado maior, mas com uma volatilidade e Drawdown muito maiores. A pergunta é: que nível de oscilações você está disposto a ter no seu patrimônio para obter um retorno maior?

Ainda levando em conta a métrica de volatilidade, uma maneira de verificar se um investimento oferece um retorno razoável para seu risco é o índice de Sharpe, que traduz a relação de retorno e risco corrido.

No caso dos dois índices apresentados, a tabela a seguir ilustra as principais métricas que devemos olhar para fazer uma escolha informada do seu investimento:

Ibovespa IHFA
Volatilidade 35.41% 6.96%
Retorno Anualizado 13.10% 7.60%
DrawDown 46.82% 11.42%
Sharpe 0.27 0.59

 

Correlação

Nesse contexto, outra maneira de reduzir o risco dos seus investimentos, sem deixar de lado o retorno é a diversificação, que nos traz a terceira métrica de risco de mercado, a correlação.

Essa métrica permite ao investidor avaliar se dois investimentos são mais do mesmo, ou se eles são complementares.

Ela varia de 1 a -1 sendo que 1 significa que os dois ativos se comportam de forma idêntica, 0 de forma completamente independente e -1 de formas opostas, ou seja, quando um sobe o outro cai.

Agora se, por exemplo, incluíssemos a compra de dólar na tabela anterior e adicionássemos a correlação como métricas novas possibilidades de investimentos surgem.

Ibovespa Dólar IHFA
Volatilidade 35% 18% 7%
Retorno Anualizado 13% 19% 8%
DrawDown 47% 18% 11%
Sharpe 0.27 0.89 0.59
Correlação Ibovespa 1.00 -0.43 0.92
Correlação Dolar -0.43 1.00 -0.37
Correlação IHFA 0.92 -0.37 1.00

 

Com os novos dados, rapidamente vemos que o dólar teria sido um excelente investimento no período analisado com Sharpe de quase 0.9, mas, ainda mais interessante, é que ele consegue ter retorno positivo fazendo algo completamente diferente da Ibovespa, indicado pela correlação negativa.

Quando juntamos duas estratégias que conseguem lucrar com correlações baixas temos o único “almoço grátis” do mercado, a diversificação.

Abaixo, um gráfico que mostra o retorno do Ibovespa, do Dólar e de um portfólio com 50% de Ibovespa e 50% de Dólar para se beneficiar da baixa correlação.

gestão de risco comparativo de carteira com IBOV e dólar

Com esse novo portfólio, temos um Sharpe ainda maior de 0.99, pois foi possível ter o mesmo retorno com uma curva muito mais suave.

Risco de Liquidez

Outro risco bastante relevante é o risco de liquidez que também precisa ser levado em conta antes de se realizar um investimento, especialmente para ativos físicos. Esse risco está associado a dificuldade de liquidar, ou seja, sair do investimento que você realizou.

Esse risco para a maioria dos ativos do mercado pode ser ponderado muito rapidamente observando o tempo de liquidação ou tempo de resgate dos ativos, tendo ações por exemplo um período de liquidação de 2 dias úteis, futuros liquidação imediata e fundos de investimentos com liquidação que variam de 2 a 120 dias, dependendo da gestora e tipo de fundo.

Para rendas fixas e imóveis, esses riscos são mais difíceis de se precificar, mas podem ser mitigados com reservas de emergência ou diversificação em ativos mais líquidos para que, em caso de emergência, sempre tenha capital disponível para resolver quaisquer imprevistos.

Risco de Crédito

Por fim, um risco mais específico é o risco de crédito. Esse risco só se aplica a investimentos com contrapartes como Debêntures ou Títulos de Dívida (público ou privado) e está associado a possibilidade de calotes e não pagamento das dívidas.

Esse risco é um dos mais difíceis de ser medido, muitas gestoras tem equipes inteiras dedicadas a esse tipo de análise, mas também existem empresas que focam unicamente em dar scores para contrapartes, mais ou menos como o SERASA faz com quem utiliza crédito.

Entenda como ponderar os riscos nos investimentos

Agora, que você já conheceu os tipos de risco, chegou a hora de entender como eles impactam às diferentes alternativas de investimento.

Renda Fixa

Vamos supor que você, como investidor, tem um perfil mais conservador e quer correr muito pouco risco optando por Renda Fixa. Nesse contexto, você compra hoje um título público pré-fixado que rende 120% do CDI até 2022 (2.4% ao ano com o CDI atual).

Esse título garante que você vai ganhar um pouco todo mês até o fim do contrato, mas e se o CDI subir para 4%? Você não vai perder capital, mas concorda que vai ganhar menos do que poderia? Esse é o risco de mercado de um título pré-fixado, a taxa de juros subir e seu dinheiro começar a render menos do que deveria.

Ainda no mercado de renda fixa, é muito comum para investimentos desse tipo ter um prazo de resgate longo ou até mesmo uma data fixa para o resgate, o que gera risco de você precisar do dinheiro no curto prazo e ele ficar “preso” em um ativo no qual você não tem mais interesse, constituindo risco de liquidez.

Renda Variável

Por outro lado, se você for um investidor mais arrojado um caminho comum é investir em ações ou índices de ações.

O risco nesses ativos se dá por meio da própria desvalorização do ativo, como vimos em março de 2020, em que, de forma inesperada, as ações enfrentaram grandes variações de preço deixando alguns investidores com grandes prejuízos.

Nesse caso, o risco está associado a própria característica dessa classe de ativo: variar muito.

Imobiliário

Outro tipo de investimento é o imobiliário, um dos investimentos de menor risco no que diz respeito ao valor em si dos imóveis, mas com grande risco de liquidez.

Quem já teve algum imóvel sabe que ocorrem momentos de depreciação com aumento de criminalidade ou apreciações com inauguração de uma nova escola próxima, mas que o principal desafio desse tipo de ativo é sua liquidação.

Imóveis são um dos poucos ativos onde não existe um prazo de resgate ou data limite, e a redução de preço para encontrar um comprador quando você precisa do dinheiro rápido é um dos maiores riscos desse investimento, que deve ser pensado com cautela.

Fundos de Investimento

Além dos anteriores, outra maneira de realizar os investimentos é terceirizando a gestão, deixando que uma equipe especializada que está olhando para o mercado o tempo todo realize as decisões por você.

Um fundo multimercado, por exemplo, aloca o dinheiro em múltiplos ativos e nesse caso os principais riscos são a equipe de gestão mudar de perfil ou não conseguir performar como deveria (o que é mais incomum do que um único ativo cair, mas também pode acontecer).

Um ponto importante para todos os tipos de fundos é o prazo de resgate que pode impactar sua liquidez, alguns fundos têm liquidação bem rápida em torno de 2 dias, mas alguns podem precisar de até 120 dias para te devolver seu patrimônio.

Outros pontos de atenção na gestão de risco

Seja realista

Apesar do mercado estar sempre buscando bons retornos e análise de risco estar sempre tentando propiciar o maior retorno com o menor risco de mercado e liquidez, é sempre importante lembrar que retorno passado não é garantia de retorno futuro.

Não é porque um fundo ou a bolsa subiram que eles vão continuar subindo, por isso, por mais que sua análise de risco e retorno estejam muito bem feitas, mantenha uma expectativa realista sobre o quanto você espera ganhar.

Avalie o seu perfil de investidor

É sempre importante ter em mente o seu perfil de investidor. Assim você já sabe se é mais conservador priorizando segurança e liquidez, mais moderado conseguindo equilibrar risco e retorno ou arrojado que tem um grande apetite aos riscos, desde que possa ganhar mais.

Tenha informações sobre os investimentos

Saber como cada investimento funciona também é determinante para uma gestão bem-sucedida. A intenção é conhecer as particularidades dos investimentos, de modo a entender se o investimento está alinhado ao seu perfil e aos seus interesses.

Sempre que for começar em um novo tipo de investimento comece com pouco, para entender direito como aquela categoria funciona e quais riscos podem não estar evidentes de primeira.

Diversifique a carteira de investimentos

Para completar a gestão de risco, é interessante usar as análises de risco e correlação para diversificar a carteira. Lembre-se que, o objetivo é selecionar investimentos com comportamentos distintos para ter o melhor portfólio possível.

Como você viu, a gestão de risco de investimentos ajuda a montar uma carteira mais segura e alinhada com o seu perfil e com os seus objetivos. Então, vale a pena seguir essas orientações para executar o processo!

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Até a próxima!

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