Pulverização x diversificação: como diversificar seus investimentos?

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A frase “não coloque todos os ovos em uma mesma cesta” é uma das primeiras orientações que novos investidores conhecem ao estudar sobre o assunto. Sim, muitas pessoas que estão no mercado financeiro entendem a necessidade de diversificar investimentos.

Contudo, nem sempre ter o conhecimento é suficiente para saber, realmente, como diversificar. Ou seja, existem pessoas que acreditam que têm uma carteira diversificada, mas acabam descobrindo que as escolhas apenas foram pulverizadas.

Inclusive, há o risco de descobrir isso da pior forma — em uma crise que cause forte impacto no seu portfólio, por exemplo. Quer saber como evitar o problema? Aprenda a seguir!

Você realmente diversifica seus investimentos?

Se você tem investimentos diferentes na carteira, já é possível perceber um cuidado em não se expor a apenas um tipo de risco. Entretanto, essa estratégia pode não significar uma diversificação eficiente.

Em muitos casos, o que as pessoas fazem é pulverizar os investimentos. Isto é, tomar decisões diferentes e distribuir o dinheiro. Mas, na prática, os riscos dos ativos escolhidos são muito semelhantes.

Assim, um problema maior afetaria bastante a carteira. Por exemplo, imagine um investidor conservador que tem diversos títulos de renda fixa. Mesmo sendo de instituições diferentes e com prazos variados, uma baixa da Selic provavelmente afeta o portfólio como um todo.

Isso porque, embora sejam diferentes, os ativos têm correlação positiva. Ou seja, eles fazem movimentos na mesma direção: se o preço de um sobe, os outros também sobem. Logo, uma carteira diversificada precisa ter ativos descorrelacionados.

Um exemplo é a relação entre a renda variável e a renda fixa. Geralmente, em contextos de juros mais altos a renda fixa fica mais atrativa, enquanto o oposto costuma acontecer na bolsa. Já se os juros baixam, a renda variável normalmente apresenta subida.

Pulverização e diversificação

Ao considerarmos o conceito de correlação fica mais fácil entender como funciona a pulverização e a diversificação — e por que as duas não significam a mesma coisa.

Uma carteira pulverizada tem ativos variados, mas todos (ou a maioria deles) apresentam correlação positiva. Então, uma tendência de subida influencia o conjunto da carteira para cima. Da mesma forma, uma crise influencia tudo para baixo.

A carteira realmente diversificada é aquela que inclui não apenas ativos diferentes, mas também descorrelacionados. Assim, eles se movimentam em direções diferentes e as influências — tanto para cima quanto para baixo — ficam mais estáveis no conjunto.

Imagine que, em uma crise econômica, você tenha alguns investimentos se desvalorizando enquanto outros se valorizam. Essa é uma das vantagens de uma diversificação correta. Os efeitos de um problema são reduzidos.

Quais são os riscos de uma falsa diversificação?

Achar que tem investimentos diversificados, mas ser iludido por uma falsa diversificação é arriscado. Afinal, o investidor pode ter a sensação de que está seguro, mas de repente se ver diante de grandes efeitos negativos na sua carteira.

Por isso, é preciso ficar atento para diversificar de maneira correta. Alguém que investe em ações pode achar que fez escolhas diversas porque tem papéis de empresas diferentes. Contudo, ter ações de três bancos, por exemplo, não é uma diversificação verdadeira.

Se algo acontecer no setor bancário, boa parte do seu portfólio sofrerá os efeitos. Fenômeno semelhante acontece, por exemplo, quando a sua carteira está exposta apenas ao mercado brasileiro. Uma crise nacional impacta diretamente seus investimentos.

Então, mesmo que você tenha diversificado bastante dentro do país, ainda há o perigo de correlação positiva entre os ativos, já que todos estão ligados à economia nacional. Para sentir menos impacto é preciso deixar de lado a pulverização e buscar a diversificação.

Como diversificar de forma eficiente?

Depois de entender a importância de diversificar investimentos, e não apenas pulverizar suas escolhas, é hora de aprender na prática como fazer isso. Confira a seguir algumas dicas essenciais para ter uma carteira mais estável!

Ter investimentos seguros

É comum que muitas pessoas tenham dúvidas sobre a relevância de investir em renda fixa com um cenário de juros mais baixos. De fato, ativos desse grupo não são conhecidos por apresentar rentabilidades vantajosas nestes momentos.

Entretanto, é importante lembrar que nem só de rendimentos se faz uma carteira. Se você se preocupa com o manejo de risco, ter aplicações seguras pode ser central na sua estratégia. Além de não ter correlação com investimentos da renda variável, elas podem oferecer liquidez.

Em um período de crise econômica, quando as ações estiverem em queda acentuada, por exemplo, os investimentos em renda fixa lhe dão flexibilidade para não realizar prejuízos na bolsa. Por isso, o conceito de reserva de emergência é tão importante para o investidor.

Incluir exposição a ativos de hedge na carteira

Quando se fala em correlação negativa, existem alguns ativos que são conhecidos por exercerem uma função de hedge — proteção da carteira. Dois exemplos muito comuns são o Ouro e o Dólar. De modo geral, o comportamento deles é o oposto da renda variável.

Quando a bolsa está subindo, a cotação do Ouro e do Dólar costuma se manter estável ou em queda. Já em momentos desafiadores para a economia, o preço dos ativos aumenta. Um dos motivos é que eles são usados por muitos países em suas reservas de proteção.

Assim, normalmente a procura pelos dois cresce em momentos de dificuldades econômicas. Ou seja, se você tiver exposição a eles na carteira conseguirá resultados positivos enquanto outros investimentos estiverem caindo.

Considerar os fundos quantitativos

Mais uma opção para quem busca diversificar a carteira investindo a partir da correlação negativa é o fundo quantitativo. Ele é um tipo de fundo que funciona com uma estratégia diferente dos demais.

De modo geral, os fundos quantitativos se baseiam em análises matemáticas e estatísticas feitas por algoritmos. Assim, as decisões de investimentos não são realizadas por pessoas — o que diminui a ação da subjetividade e das emoções.

Uma consequência interessante da estratégia é fazer com que os fundos quantitativos apresentem descorrelação com outros investimentos. Por exemplo, ações e os demais tipos de fundos. Logo, eles podem lhe ajudar a diversificar corretamente a carteira.

Montar um portfólio diverso e sólido a qualquer tempo permite usufruir de maior segurança e impulsionar seus resultados ao investir. Então, vale a pena considerar as informações que leu neste post para decidir como organizar melhor suas escolhas e diversificar seus investimentos!

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Até a próxima!

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